domingo, 31 de maio de 2009

Pai! Afasta de mim esse Cálice...


Essa música foi composta por Chico Buarque e Gilberto Gil, no clima pesado de uma Sexta-Feira Santa para o show Phono 73, que a gravadora Phonogram (ex-Philips, e depois Polygram) organizou no Palácio das Convenções do Anhembi, em São Paulo, em maio de 1973.

Como a Censura havia proibido a letra, os dois autores decidiram cantar apenas a melodia, pontuando-a com a palavra "cálice" - mas nem mesmo isso foi possível. Segundo relato do Jornal da Tarde, a Phonogram resolveu cortar o som dos microfones de Chico, para evitar que a música, mesmo sem a letra, fosse apresentada.

Fonte:

Livro: Tantas Palavras, Humberto Werneck & Chico Buarque, lançado em 1989, reeditado em 1995 e esgotado há muitos anos, o songbook '"Chico Buarque - Letra e música" converteu-se não apenas num sucesso de público como também na principal fonte de informação sobre a vida e a obra do compositor, p. 79 - 80.


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5 comentários:

  1. Não há como deixar de fora a letra da música feita em parceria com Gilberto Gil.
    A música trabalha com a idéia de Deus (“Pai”), a quem é ofertado um cálice litúrgico, depois transformado em imperativo a ordenar: “Cale-se!”, em referência à censura e ditadura da época.

    Cálice

    Pai, afasta de mim esse cálice
    Pai, afasta de mim esse cálice
    Pai, afasta de mim esse cálice
    De vinho tinto de sangue
    Como beber dessa bebida amarga
    Tragar a dor, engolir a labuta
    Mesmo calada a boca, resta o peito
    Silêncio na cidade não se escuta
    De que me vale ser filho da santa
    Melhor seria ser filho da outra
    Outra realidade menos morta
    Tanta mentira, tanta força bruta
    (Refrão)
    Como é difícil acordar calado
    Se na calada da noite eu me dano
    Quero lançar um grito desumano
    Que é uma maneira de ser escutado
    Esse silêncio todo me atordoa
    Atordoado eu permaneço atento
    Na arquibancada pra a qualquer momento
    Ver emergir o monstro da lagoa
    (Refrão)
    De muito gorda a porca já não anda
    De muito usada a faca já não corta
    Como é difícil, pai, abrir a porta
    Essa palavra presa na garganta
    Esse pileque homérico no mundo
    De que adianta ter boa vontade
    Mesmo calado o peito, resta a cuca
    Dos bêbados do centro da cidade
    (Refrão)
    Talvez o mundo não seja pequeno
    Nem seja a vida um fato consumado
    Quero inventar o meu próprio pecado
    Quero morrer do meu próprio veneno
    Quero perder de vez tua cabeça
    Minha cabeça perder teu juízo
    Quero cheirar fumaça de óleo diesel
    Me embriagar até que alguem me esqueça

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  2. Seu blog é muito bom por isso vim até o seu espaço e gostei muito do que li por aqui. Tenho um blog Tb gosto d++ de poemas. E estou te seguindo se VC puder da uma passada La no meu blog. VAI SER UM PRAZER SE PUDER ME SEGUIR...Bejs . Déia.........
    Esse é o link do meu blog
    http://wwwdeiablog.blogspot.com/

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  3. Olá Déia,

    Obrigada pelo elogio! também gosto muito de poesias... Visitei seu blog e percebi que você gosta também de Clarice Lispector (ela é a minha preferida!!!)

    Também curti o que encontrei no seu blog, tanto que me tornei uma seguidora.

    Bjo grande:)

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  4. Pai afasta de mim esse cálice.
    A letra da canção de Chico e Gil mostra que os autores intuíram que Jesus nao veio para morrer como criminoso, e que esse crime resultou do livre arbítrio dos humanos. Não era um holocausto programado para livrar a humanidade de seus pecados, por isso disse Jesus: "Pai perdoai-lhes, pois não sabem o que fazem"!

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    1. Olá Benedicto,

      Sem dúvida! "Pai perdoai-lhes, pois não sabem o que fazem" é a primeira das sete breves frases de Jesus na cruz. Esta primeira frase foi dita em forma de prece para que Deus perdoasse a ignorância daqueles que o crucificavam. Ela também reflete e confirma uma exortação anterior de Jesus, quando pedia insistentemente que seus seguidores amassem e perdoassem seus inimigos.

      Abraço e obrigada pela visita!

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