segunda-feira, 28 de setembro de 2009

O que houve?


Se todo animal inspira ternura,
o que houve, então,
com os homens?
(Guimarães Rosa)


*João Guimarães Rosa, mais conhecido como Guimarães Rosa, nasceu em Cordisburgo (MG), no dia 27/06/1908, faleceu no Rio de Janeiro em 19/11/1967. Foi um dos mais importantes escritores brasileiros de todos os tempos. Foi também médico e diplomata. Autor de Grande Sertão: Veredas, também era conhecido como Feiticeiro das Palavras e Caboclo Universal.


Curiosidade:

Autodidata, começou ainda criança a estudar diversos idiomas, iniciando pelo francês quando ainda não tinha 7 anos, como se pode verificar neste trecho de entrevista concedido a uma prima, anos mais tarde:

"Eu falo: português, alemão, francês, inglês, espanhol, italiano, esperanto, um pouco de russo. Leio: sueco, holandês, latim e grego (mas com o dicionário agarrado); entendo alguns dialetos alemães. Estudei a gramática: do húngaro, do árabe, do sânscrito, do lituano, do polonês, do tupi, do hebraico, do japonês, do checo, do finlandês, do dinamarquês; bisbilhotei um pouco a respeito de outras. Mas tudo mal. E acho que estudar o espírito e o mecanismo de outras línguas ajuda muito na compreensão mais profunda do idioma nacional. Principalmente, porém, estudando-se por divertimento, gosto e distração."


Fontes:
http://pt.wikipedia.org/wiki/Guimar%C3%A3es_Rosa
http://www.tvcultura.com.br/aloescola/literatura/guimaraesrosa/
http://www.releituras.com/guimarosa_bio.asp

domingo, 27 de setembro de 2009

A motivação de nossas vidas...


"Acredito que o objetivo da nossa vida seja a busca da felicidade. Isso está claro. Quer se acredite em uma religião ou não, quer se acredite nesta religião ou naquela, todos nós buscamos algo melhor da vida. Portanto, acho que a motivação da nossa vida é a felicidade."

Extraído do livro: A arte da felicidade - um manual para a vida / de sua santidade o Dalai Lama e Howard C. Cutler, São Paulo: Martins Fontes, 2000. Traduzido do original: The Art of happiness por Riverhead Books.

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

Explicação sobre Roda-Viva de Chico Buarque...




Roda-viva

Tem dias que a gente se sente
Como quem partiu ou morreu
A gente estancou de repente
Ou foi o mundo então que cresceu
A gente quer ter voz ativa
No nosso destino mandar
Mais eis que chega a roda-viva
E carrega o destino pra lá
Roda mundo, roda-gigante
Roda-moinho, roda pião
O tempo rodou num instante
Nas voltas do meu coração
A gente vai contra a corrente
Até não poder resistir
No volta do barco é que sente
O quanto deixou de cumprir
Faz tempo que a gente cultiva
A mais linda roseira que há
Mas eis que chega a roda-viva
E carrega a roseira pra lá
Roda mundo, roda-gigante
Roda-moinho, roda pião
O tempo rodou num instante
Nas voltas do meu coração
A roda da saia, a mulata
Não quer mais rodar, não senhor
Não posso fazer serenata
A roda de samba acabou
A gente toma a iniciativa
Viola na rua, a cantar
Mas eis que chega a roda-viva
E carrega a viola pra lá
Roda mundo, roda-gigante
Roda-moinho, roda pião
O tempo rodou num instante
Nas voltas do meu coração
O samba, a viola, a roseira
Um dia a fogueira queimou
Foi tudo ilusão passageira
Que a brisa primeira levou
No peito a saudade cativa
Faz força pro tempo parar
Mas eis que chega a roda-viva
E carrega a saudade pra lá
Roda mundo, roda-gigante
Roda-moinho, roda pião
O tempo rodou num instante
Nas voltas do meu coração

(Composição: Chico Buarque - 1967 © by Editora Musical Arlequim Ltda)




Roda viva - Peça Teatral:

A peça Roda viva foi escrita por Chico Buarque no final de 1967 e estreou no Rio de Janeiro, no início de 1968, sob a direção de José Celso Martinez Corrêa, com Marieta Severo, Heleno Pests e Antônio Pedro nos papéis principais.

A temporada no Rio foi um sucesso, mas a obra virou um símbolo da resistência contra a ditadura durante a temporada da segunda montagem, com Marília Pêra e Rodrigo Santiago. Um grupo de cerca de 110 pessoas do Comando de Caça aos Comunistas (CCC) invadiu o Teatro Galpão, em São Paulo, em julho daquele ano, espancou artistas e depredou o cenário.

No dia seguinte, Chico Buarque estava na platéia para apoiar o grupo e começava um movimento organizado em defesa de Roda Viva e contra a censura nos palcos brasileiros. Chico disse no documentário Bastidores, que pode ter havido um erro, e que a peça que o comando deveria invadir acontecia em outro espaço do teatro.




Roda Viva - Explicação da Letra da Música, por Priscila Figueiredo

Quem não conhece a canção Roda-viva, de Chico Buarque? Essa letra faz parte da famosíssima peça de mesmo nome, escrita em 1967 e que, um ano depois, sob a direção de José Celso Martinez Corrêa, recebeu montagem à altura, no teatro Oficina. Chico Buarque, que até então era "a única unanimidade brasileira", nas palavras de Millôr Fernandes, chocou parte de seu público com a radicalidade crítica e o tom francamente agressivo da peça.

Mas vamos à letra Roda-viva: ela tem um chão histórico específico, ou seja, os obscuros anos da ditadura. É desse tempo que ela data e é o que esse tempo representou para a experiência brasileira que ela aborda e cifra. Eu falei em "cifra"? Sim, a palavra cifra tem, além da acepção comercial que conhecemos, o sentido de explicação de escrita hermética, enigmática, e, por extensão, passa a significar essa própria escrita. Decifrar é justamente tirar a cifra, tornar o texto claro, interpretá-lo. Como dissemos, a composição de Chico se originou em meio ao turbilhão da instauração da ditadura militar no Brasil. Ditadura que representava, para a cultura, simplesmente o fim da liberdade de expressão. Um meio muito utilizado na época (e, de um modo geral, em períodos não democráticos, no Brasil e em outros países) para driblar a censura foi a metáfora, o despistamento, a linguagem figurada, a cifra. Alguns escritores e jornalistas falavam aparentemente de flores e rouxinóis, quando estavam se referindo à situação político-social brasileira.

O que é roda-viva? Roda-viva é, conforme os dicionários, movimento incessante, corrupio, cortado; é ainda confusão, barulho. O texto menciona ações frustradas pela roda-viva.

Na letra a roda-viva está associada à morte, ao contrário do que indica a palavra. A roda ceifa, arranca aquilo que ainda está em desenvolvimento: a gente estancou de repente. A gente parou (de crescer) de repente. Note-se como é expressivo o uso de estancar, que nos faz lembrar imediatamente de sangue. Somos abortados na capacidade de decidir o próprio destino, de adquirir autonomia como um rio é barrado, como um fluxo de sangue é estagnado. Essa espécie de vendaval arrebata a voz, o destino das pessoas e a capacidade de exprimir artisticamente seu sofrimento: arrebata-lhes ainda a viola. A roda-viva arrebata da gente a roseira há tanto cultivada e que não teve tempo de exibir tudo o que prometia.

A composição é cortada por dois movimentos: um expressa a ação empenhada, o trabalho sistemático, o desejo de ser o sujeito da própria história. A esse movimento pertence o querer ter voz ativa, o ir contra a corrente (da roda-viva), o cultivo ininterrupto da rosa, o tocar viola na rua e a saudade de tudo isso (na medida em que a saudade pode ajudar a reorganizar o pensamento e a luta). O outro movimento expressa a ação abortiva exercida pela roda-viva. Esse movimento vem expresso numa frase reiterada: "Mas eis que chega a roda-viva e carrega (o que quer que seja) pra lá". A conjunção "mas" sinaliza justamente essa mudança de direção, sinaliza ação adversa. A frase "eis que chega..." vem sempre ligada na letra a um tipo de estribilho, a uma fórmula aparentemente ingênua, que lembra as cantigas de roda: "roda mundo, roda gigante/ roda-moinho, roda pião/ o tempo rodou num instante nas voltas do meu coração".

Essa fórmula, inocente na aparência, dado seu teor caótico e quase surrealista (típico de enigmas, cantigas de ninar etc.) e a referência a brinquedos infantis (roda-gigante, pião), tem o efeito de exprimir um desnorteio, uma situação absurda, fora do esquadro. De fato, não é possível conceber a ditadura como algo natural. Ela não pertence à ordem da razão.

Esses movimentos descritos na letra são, portanto, de trabalho em curso e de sucessiva frustração. Isso descreve muito a experiência brasileira, tanto do ponto de vista social e político como do ponto de vista cultural. Quando estávamos começando a engatinhar na democracia, é instalado o regime totalitário, para o qual não existem indivíduos. Sufoca-se até a saudade (já cativa) de outros tempos.

Mas esse ambiente de tanto mal-estar foi filtrado por Chico Buarque com muita cautela: era preciso despistar a censura, daí a profusão de rodas e de versos encantatórios; era preciso dizer a verdade, daí o tumulto e a sensação de frustração advinda da mesma profusão de rodas, que diríamos serem antes de trator.




Um pouco sobre Chico Buarque:

Francisco Buarque de Hollanda nasce em 19 de junho de 1944, na cidade do Rio de Janeiro. Quando está com dois anos, sua família se transfere para São Paulo. Tanto seu pai, o historiador Sérgio Buarque de Hollanda, como sua mãe, Maria Amélia, gostavam de tocar piano e cantar com os amigos, entre eles Vinícius de Morais. Estuda violão com sua irmã Miúcha e, influenciado por João Gilberto, começa a fazer suas primeiras composições. Cursa até o terceiro ano da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP. Seu primeiro compacto é lançado em 1965. Participa de alguns festivais de música popular brasileira e, em 1966, no II FMPB da TV Record, quando "A banda", música de sua autoria, divide o primeiro lugar com "Disparada". Escreve peças, compõe para cinema e teatro e lança vários álbuns, entre os quais: Construção (1971), Sinal Fechado (1974), Almanaque (1981) e Paratodos (1993). Chico publicou Fazenda Modelo (1974), Chapeuzinho amarelo, livro-poema para crianças (1979), A bordo do Rui Barbosa (publicado em 1981), Estorvo (1991) e, em 1994, Benjamin, ambos pela Companhia das Letras.



Fontes:
http://www.chicobuarque.com.br/
http://pt.wikipedia.org/wiki/Chico_Buarque
http://www.tvcultura.com.br/aloescola/literatura/poesias/index.htm - (Ponto com Poesia - Projeto Alô Escola*)

*As análises de poemas e canções foram desenvolvidas especialmente para o "Ponto com Poesia", do Alô Escola, pela professora Priscila Figueiredo, formada em Letras pela USP, onde faz pós-graduação em Literatura Brasileira. Ela atua também como assessora do professor Pasquale Cipro Neto no programa "Nossa Língua Portuguesa".

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

Para hoje, algo bem simples...


"O que temos é passageiro;
o que somos vai conosco para sempre!"

(Desconheço o autor)

terça-feira, 22 de setembro de 2009

Como será o amanhã? Responda quem puder...



Coincidência
ou não, durante uma reunião entre amigos no último final de semana, estávamos falando sobre o mesmo assunto. Digo coincidência, devido ter recebido “hoje”, um e-mail de uma amiga com o mesmo conteúdo.


A entrevista abaixo, foi publicada na edição da 3ª semana de Dezembro/2005, da Revista ISTOÉ.
Mesmo após quase quatro anos de sua publicação, o mais curioso é que o cenário ainda se faz presente.

Se analisarmos o cotidiano do mundo corporativo, acredito que houve uma piora significativa. Para chegarmos em um diagnóstico comum, basta analisarmos os fatos do nosso cotidiano – “a desvalorização e a intensificação de sentimentos de incompetência, fracasso e baixa autoestima de milhares de pessoas”.


A sequência torna o processo ainda mais assustador – “pessoas infelizes ou frustradas, por passarem a maior parte do seu tempo em ambientes hostilizados, demagogos e hipócritas.” Enfim, vale ler a reportagem até o final!

Silvia
Elena



CUIDADO COM OS BURROS MOTIVADOS
(Entrevista com Roberto Shinyashiki)


A Revista ISTOÉ, publicou esta entrevista de Camilo Vannuchi.

O entrevistado é Roberto Shinyashiki, médico psiquiatra, com Pós-Graduação em administração de empresas pela USP, consultor organizacional e conferencista de renome nacional e internacional.

Em 'Heróis de Verdade', o escritor combate a supervalorização das aparências, diz que falta ao Brasil competência, e não autoestima.



ISTOÉ - Quem são os heróis de verdade?

Roberto Shinyashiki - Nossa sociedade ensina que, para ser uma pessoa de sucesso, você precisa ser diretor de uma multinacional, ter carro importado, viajar de primeira classe. O mundo define que poucas pessoas deram certo.

Isso é uma loucura. Para cada diretor de empresa, há milhares de funcionários que não chegaram a ser gerentes. E essas pessoas são tratadas como uma multidão de fracassados. Quando olha para a própria vida, a maioria se convence de que não valeu a pena, porque não conseguiu ter o carro, nem a casa maravilhosa.

Para mim, é importante que o filho da moça que trabalha na minha casa, possa se orgulhar da mãe. O mundo precisa de pessoas mais simples e transparentes.

Heróis de verdade são aqueles que trabalham para realizar seus projetos de vida, e não para impressionar os outros. São pessoas que sabem pedir desculpas e admitiram que erraram.


ISTOÉ - O senhor citaria exemplos?

Shinyashiki - Quando eu nasci, minha mãe era empregada doméstica e meu pai, órfão aos sete anos, empregado em uma farmácia.

Morávamos em um bairro miserável em São Vicente (SP), chamado Vila Margarida. Eles são meus heróis. Conseguiram criar seus quatro filhos, que hoje estão bem.

Acho lindo quando o Cafu põe uma camisa em que está escrito '100% Jardim Irene'. É pena que a maior parte das pessoas esconda suas raízes.

O resultado é um mundo vítima da depressão, doença que acomete hoje 10% da população americana. Em países como o Japão, a Suécia e a Noruega, há mais suicídio do que homicídio. Por que tanta gente se mata?

Parte da culpa está na depressão das aparências, que acomete a mulher, que embora não ame mais o marido, mantém o casamento, ou o homem que passa décadas em um emprego, que não o faz se sentir realizado, mas o faz se sentir seguro.


ISTOÉ - Qual o resultado disso?

Shinyashiki - Paranóia e depressão cada vez mais precoce.

O pai quer preparar o filho para o futuro e mete o menino em aulas de inglês, informática e mandarim. Aos nove ou dez anos a depressão aparece. A única coisa que prepara uma criança para o futuro, é ela poder ser criança.

Com a desculpa de prepará-los para o futuro, os malucos dos pais estão roubando a infância dos filhos. Essas crianças serão adultos inseguros e terão discursos hipócritas. Aliás, a hipocrisia já predomina no mundo corporativo.


ISTOÉ - Por quê?

Shinyashiki - O mundo corporativo virou um mundo de faz de conta, a começar pelo processo de recrutamento. É contratado o sujeito com mais marketing pessoal. As corporações valorizam mais a autoestima do que a competência.

Sou presidente da Editora Gente e entrevistei uma moça que respondia todas as minhas perguntas com uma ou duas palavras. Disse que ela não parecia demonstrar interesse. Ela me respondeu estar muito interessada, mas como falava pouco, pediu que eu pesasse o desempenho dela, e não a conversa. Até porque, ela era candidata a um emprego na contabilidade, e não de relações públicas.

Contratei-a na hora. Num processo clássico de seleção, ela não passaria da primeira etapa.


ISTOÉ - Há um script estabelecido?

Shinyashiki - Sim. Quer ver uma pergunta estúpida feita por um presidente de multinacional no programa 'O Aprendiz'?

- Qual é seu defeito?

Todos respondem que o defeito é não pensar na vida pessoal:

- Eu mergulho de cabeça na empresa. Preciso aprender a relaxar.

É exatamente o que o Chefe quer escutar. Por que você acha que nunca alguém respondeu ser desorganizado ou esquecido? É contratado quem é bom em conversar, em fingir. Da mesma forma, na maioria das vezes, são promovidos aqueles que fazem o jogo do poder.

O vice-presidente de uma das maiores empresas do planeta me disse:

- 'Sabe, Roberto, ninguém chega à vice-presidência sem mentir'.

Isso significa que quem fala a verdade não chega a diretor!


ISTOÉ - Temos um modelo de gestão que premia pessoas mal preparadas?

Shinyashiki - Ele cria pessoas arrogantes, que não têm a humildade de se preparar, que não têm capacidade de ler um livro até o fim e não se preocupam com o conhecimento.

Muitas equipes precisam de motivação, mas o maior problema no Brasil é competência. Cuidado com os burros motivados. Há muita gente motivada fazendo besteira. Não adianta você assumir uma função, para a qual não está preparado.

Fui cirurgião e me orgulho de nunca um paciente ter morrido na minha mão. Mas tenho a humildade de reconhecer que isso nunca aconteceu graças aos meus chefes, que foram sábios em não me dar um caso, para o qual eu não estava preparado.

Hoje, o garoto sai da faculdade achando que sabe fazer uma neurocirurgia. O Brasil se tornou incompetente e não acordou para isso.


ISTOÉ - Está sobrando autoestima?

Shinyashiki - Falta às pessoas a verdadeira autoestima. Se eu preciso que os outros digam que sou o melhor, minha autoestima está baixa.

Antes, o ter conseguia substituir o ser. O cara mal-educado dava uma gorjeta alta para conquistar o respeito do garçom. Hoje, como as pessoas não conseguem nem ser, nem ter, o objetivo de vida se tornou parecer.

As pessoas parecem que sabem, parece que fazem, parece que acreditam. E poucos são humildes para confessar que não sabem.

Há muitas mulheres solitárias no Brasil, que preferem dizer que é melhor assim. Embora a autoestima esteja baixa, fazem pose de que está tudo bem.


ISTOÉ - Por que nos deixamos levar por essa necessidade de sermos perfeitos em tudo e de valorizar a aparência?

Shinyashiki - Isso vem do vazio que sentimos. A gente continua valorizando os heróis.

Quem vai salvar o Brasil? O Lula.

Quem vai salvar o time? O técnico.

Quem vai salvar meu casamento? O terapeuta.

O problema é que eles não vão salvar nada!

Tive um professor de filosofia que dizia:

- 'Quando você quiser entender a essência do ser humano, imagine a rainha Elizabeth com uma crise de diarréia durante um jantar no Palácio de Buckingham'. Pode parecer incrível, mas a rainha Elizabeth também tem diarréia.

Ela certamente já teve dor de dente, já chorou de tristeza, já fez coisas que não deram certo.

A gente tem de parar de procurar super-heróis, porque se o super-herói não segura a onda, todo mundo o considera um fracassado.


ISTOÉ - O conceito muda quando a expectativa não se comprova?

Shinyashiki - Exatamente. A gente não é super-herói nem super fracassado. A gente acerta, erra, tem dias de alegria e dias de tristeza. Não há nada de errado nisso.

Hoje, as pessoas estão questionando o Lula, em parte porque acreditavam que ele fosse mudar suas vidas e se decepcionaram. A crise será positiva se elas entenderem que a responsabilidade pela própria vida é delas.


ISTOÉ - Muitas pessoas acham que é fácil para o Roberto Shinyashiki dizer essas coisas, já que ele é bem-sucedido. O senhor tem defeitos?

Shinyashiki -Tenho minhas angústias e inseguranças. Mas aceitá-las faz minha vida fluir facilmente. Há várias coisas que eu queria e não consegui. Jogar na Seleção Brasileira, tocar nos Beatles (risos).

Meu filho mais velho nasceu com uma doença cerebral e hoje tem 25 anos. Com uma criança especial, eu aprendi que, ou eu a amo do jeito que ela é, ou vou massacrá-la o resto da vida para ser o filho que eu gostaria que fosse.

Quando olho para trás, vejo que 60% das coisas que fiz deram certo. O resto foram apostas e erros. Dia desses apostei na edição de um livro, que não deu certo.

Um amigão me perguntou:

- 'Quem decidiu publicar esse livro?'

Eu respondi que tinha sido eu. O erro foi meu. Não preciso mentir.


ISTOÉ - Como as pessoas podem se livrar dessa tirania da aparência?

Shinyashiki - O primeiro passo é pensar nas coisas que fazem as pessoas cederem a essa tirania e tentar evitá-las.

São três fraquezas: A primeira é precisar de aplauso, a segunda é precisar se sentir amada e a terceira é buscar segurança.

Os Beatles foram recusados por gravadoras e nem por isso desistiram.

Hoje, o erro das escolas de música é definir o estilo do aluno. Elas ensinam a tocar como o Steve Vai, o B. B. King ou o Keith Richards. Os MBAs têm o mesmo problema: ensinam os alunos a serem covers do Bill Gates. O que as escolas deveriam fazer é ajudar o aluno a desenvolver suas próprias potencialidades.


ISTOÉ - Muitas pessoas têm buscado sonhos que não são seus?

Shinyashiki - A sociedade quer definir o que é certo. São quatro loucuras da sociedade...

A primeira é: instituir que todos têm de ter sucesso, como se eles não tivessem significados individuais.

A segunda loucura é: Você tem de estar feliz todos os dias.

A terceira é: Você tem que comprar tudo o que puder. O resultado é esse consumismo absurdo.

Por fim, a quarta loucura: Você tem de fazer as coisas do jeito certo.

Jeito certo não existe. Não há um caminho único para se fazer as coisas. As metas são interessantes para o sucesso, mas não para a felicidade. Felicidade não é uma meta, mas um estado de espírito.

Tem gente que diz que não será feliz, enquanto não casar, enquanto outros se dizem infelizes justamente por causa do casamento. Você pode ser feliz tomando sorvete, ficando em casa com a família ou com amigos verdadeiros, levando os filhos para brincar ou indo à praia ou ao cinema.

Quando era recém-formado em São Paulo, trabalhei em um hospital de pacientes terminais. Todos os dias morriam nove ou dez pacientes. Eu sempre procurei conversar com eles na hora da morte.

A maior parte pega o médico pela camisa e diz: 'Doutor, não me deixe morrer. Eu me sacrifiquei à vida inteira, agora eu quero aproveitá-la e ser feliz'.

Eu sentia uma dor enorme por não poder fazer nada. Ali eu aprendi que a felicidade é feita de coisas pequenas. Ninguém na hora da morte diz se arrepender por não ter aplicado o dinheiro em imóveis ou ações, mas sim de ter esperado muito tempo ou perdido várias oportunidades para aproveitar a vida.

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Dia da Árvore...



e início da Primavera no Brasil...

Por Silvia Elena

Segundo IBGE Teen, os responsáveis pela primeira comemoração da "Festa das Árvores" foram João Pedro Cardoso e Alberto Leofgren. O evento aconteceu na cidade de Araras (SP), no dia 07/06/1902. Na época, contaram com o apoio das Leis municipais (n° 18 e 19 sancionadas em Fevereiro do mesmo ano). O objetivo era incentivar a plantação e a conservação do meio ambiente (Pois é, não se trata de uma preocupação atual. Há 107 anos, a preocupação com a conservação do meio ambiente já se fazia presente).

Até 1965, o Brasil sempre comemorou nacionalmente o dia da árvore em 21 de Setembro, devido marcar o início da Primavera.

A partir de 24/02/1965, o Presidente da época (Castelo Branco), sancionou o Decreto-Lei 55.795, que separou as comemorações em função das diferenças climáticas brasileiras (início das chuvas e propício ao plantio de sementes).

Portanto, a partir do decreto, o evento passou a ser comemorado tanto na última semana do mês de Março (regiões Norte e Nordeste), quanto na semana iniciada em 21 de Setembro (regiões Centro-Oeste, Sudeste e Sul).

Até hoje, o Dia da Árvore é conhecido nacionalmente como 21 de Setembro, contrariando o decreto de 1965. Há quem diga que é devido ao fato dos livros didáticos e da mídia insistirem na informação de que o dia o 21 de Setembro é o Dia da Árvore.


Fontes:
http://www.ibge.gov.br/ibgeteen
http://www.brasilescola.com/

domingo, 20 de setembro de 2009

A idade...


"A idade não nos torna adultos.
Não! Faz de nós verdadeiras crianças."
(Goethe)


*Johann Wolfgang Von "Goethe", foi um importante romancista, dramaturgo e filósofo alemão. Nasceu na cidade de Frankfurt am Mainem (28/08/1749) e morreu em Weimar (22/03/1832).

Formado em Direito, atuou muito pouco tempo como advogado. Como sua paixão era a literatura, resolveu dedicar-se. Fez parte de dois movimentos literários importantes: o romantismo e o expressionismo. Apresentou também, um grande interesse pela pintura e desenho.


Fontes:

http://www.suapesquisa.com/
http://pt.wikipedia.org/wiki/Johann_Wolfgang_von_Goethe
http://www.starnews2001.com.br/literatura.html

sábado, 19 de setembro de 2009

Somos...


"...Somos um exército, o exército de um homem só
No difícil exercício de viver em paz
Somos um exército, o exército de um homem só
Sem bandeira
Sem fronteiras
Pra defender
Pra defender..."

(O Exército de um Homem Só*
Composição: Humberto Gessinger / Augusto Licks)



*Esta música faz parte do álbum: Filmes de Guerra, Canções de Amor.

Filmes de Guerra, Canções de Amor (lançado em 1993), é o oitavo disco dos Engenheiros (recebeu este nome fazendo referência a uma canção do disco A Revolta dos Dândis). Gravado ao vivo na Sala Cecília Meireles (Rio de Janeiro), o disco foi considerado na época pela banda um disco semiacústico. Além dos arranjos de Wagner Tiso (guitarras, percussão e piano), as músicas também tiveram acompanhamento da Orquestra Sinfônica Brasileira.

Na época não existia a febre de acústicos gravados pelos grandes nomes nacionais, o que denota o caráter visionário da banda. O disco foi gravado ao vivo por uma decisão da banda de gravar um álbum ao vivo a cada três álbuns (baseada em uma ideia da banda Rush, que fazia o mesmo).


Fontes:

http://blogluso-carioca.blogspot.com/2008/07/bandas-brasileiras-engenheiros-do.html
http://www2.uol.com.br/engenheirosdohawaii/index2.htm

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

Sinto que eu...


"Tenho pensamentos que,
se pudesse revelá-los e fazê-los viver,
acrescentariam nova luminosidade às estrelas,
nova beleza ao mundo e
maior amor ao coração dos homens."
(Fernando Pessoa)


*Fernando António Nogueira Pessoa, nasceu e morreu em Lisboa (13/06/1888 — 30/11/1935), foi um poeta e escritor português. É considerado um dos maiores poetas da Língua Portuguesa, e o seu valor é comparado ao de Camões.

Além de poeta, Fernando Pessoa era tradutor (correspondente estrangeiro) e astrólogo. Há quem diga que era melhor astrólogo que poeta.


Fonte:
http://pt.wikipedia.org/wiki/Fernando_Pessoa

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

A dança e o corpo...


"Dançar é sentir, sentir é sofrer, sofrer é amar...
Tu amas, sofres e sentes.
Dança!”
(Isadora Duncan¹)




"O corpo diz o que as palavras não podem dizer."
(Martha Graham²)


¹ - Isadora Duncan, nome artístico de Angela Isadora Duncan (27/05/1877 – 14/09/1927), foi uma bailarina norte-americana, nascida em São Francisco. Considerada a pioneira da dança moderna. Isadora, causou polêmica ao ignorar todas as técnicas do balé clássico.

² - Martha Graham (11/05/1894 – 01/04/1991), foi uma dançarina e coreógrafa estadunidense. Nasceu em Allegheny County, Pensilvânia. Foi uma das principais representantes da dança contemporânea nos EUA. Sendo conhecida mais tarde como a mãe da dança moderna. Tinha como objetivo desvendar a alma humana.


Fontes:
http://www.isadoraduncan.org/
http://pt.wikipedia.org/wiki/Isadora_Duncan
http://www.pco.org.br/conoticias/ler_materia.php?mat=152
http://marthagraham.org/center/
http://pt.wikipedia.org/wiki/Centro_de_Dan%C3%A7a_Contempor%C3%A2nea_Martha_Graham
http://pt.wikipedia.org/wiki/Martha_Graham